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Isoeritrólise Neonatal

Claudia Ehlers Kerber

Embora não seja muito comum, a Isoeritrólise Neonatal é um distúrbio hemolítico importante, pois pode resultar em uma crise hemolítica fatal.
Trata-se de uma anemia hemolítica que se manifesta quando há destruição dos eritrócitos do potro recém nascido pelos anticorpos antihemácia produzidos pela égua mãe, resultado da estimulação provocada por alontígenos (antígenos de superfície) estranhos a ela, mas presentes no garanhão e transmitidos ao potro. A estimulação ocorre por hemorragia retroplacentária em gestações anteriores. Estes aloanticorpos são concentrados no colostro e quando absorvidos pelo potro, ganham a circulação, iniciando hemólise intra e extravascular.

Os potros são normais ao nascimento e até que a crise hemolítica seja deflagrada. Os sinais costumam aparecer entre 12 horas e 5 dias de vida.

Os sinais, assim como a história clínica são bem característicos, incluindo anemia, icterícia, hemoglobinúria, depressão e, obrigatoriamente, a égua é multípara. Como os sinais não são patognomônicos, o suporte laboratorial facilita o diagnóstico e nos dá informações úteis sobre a severidade do caso e a terapia. O diagnóstico definitivo é dado pela prova da soroaglutinação do sangue do potro com o soro da égua, mas, algumas vezes, a leitura do teste no campo pode deixar o veterinário confuso. Por este motivo, e porque a história clínica e os sinais são bastante sugestivos, as ações devem ser tomadas com urgência.

A contagerm de hemácias abaixo de 6 milhôes e o hemotócrito abaixo de 25% indicam anemia severa. Há grande aumento dos níveis de bilirrubina direta que pode alcançar 20 a 40 mg/dl.
O colostro da égua deve ser descartado imediatamente e deve ser fornecido um colostro alternativo. A transfusão de sangue está indicada como tratamento quando o hematócrito for menor ou igual a 12%, ou a Hemoglobulina menor do que 5 g/dl e deve ser acompanhada de tratamento de suporte.