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Reaparecimento do Mormo

Claudia Ehlers Kerber

1. INTRODUÇÃO
O mormo é uma doença causada por uma bactéria designada Burkholderia mallei. Acomete cavalos e, de forma mais grave, asininos e muares. Pode ainda acometer humanos de forma também grave e outros mamíferos. A maioria dos veterinários não está familiarizada com a doença já que, pelo fat o de que o mormo foi considerado extinto por 30 anos, esta doença deixou de fazer parte do conteúdo programático das escolas de veterinária.

2. HISTÓRIA
Não há dados precisos sobre a introdução do mormo no Brasil, mas o primeiro relato registrado ocorreu em 1811 na Ilha de Marajó, onde foram introduzidos cavalos procedentes da cidade do Porto, em Portugal. Após algum tempo, um grande número deles morreu, apresentando “catarro e cancro nasais”.

Ao longo do século XIX várias ocorrências de mormo são identificadas, principalmente nas cidades do Rio de Janeiro, Campos, São Paulo e Salvador. Sua presença quase sempre estava relacionada com unidades militares e companhias de bondes, movidos por tração animal. A partir de 1950, a doença passou a ser observada cada vez mais raramente, coincidindo com a redução do uso dos eqüídeos. Em 1968, casos de mormo foram diagnosticados por técnicos do Ministério da Agricultura no município de São Lourenço da Mata, em Pernambuco. O Boletim de Defesa Sanitária Animal, sobre as primeiras observações das doenças animais no Brasil, publicado em 1988, considerou que a doença estaria extinta no Brasil, uma vez que, desde a sua constatação em Pernambuco em 1968, nenhum caso novo fora comunicado.

Conforme documento encaminhado ao Ministério da Agricultura em 1998 por pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco, os casos de “catarro de mormo”, ou “catarro de burro”, como a doença é denominada nestes estados, continuaram ocorrendo e matando grande número de eqüinos e muares (burros) nas propriedades canavieiras da zona da mata. Apenas em um dos municípios afetados foram registrados por esta equipe de veterinários mais de 400 mortes em apenas um ano.

Em setembro de 1999, o professor Fernando Leandro dos Santos, da Universidade Federal Rural de Pernambuco solicitou ao Ministério da Agricultura (MA) a coleta de soro em animais das propriedades onde estaria ocorrendo mormo. Esses soros foram remetidos para o Laboratório de apoio animal em Recife, que providenciou seu envio para análise no Laboratório Paddock, em São Paulo, credenciado no Ministério da Agricultura americano para realizar os exames no Brasil. O Laboratório Paddock, em 7 de outubro, comunicou os resultados do exame de fixação de complemento para mormo ao MA, quando 7 animais se mostraram positivos em um total de 20.

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